segunda-feira, 16 de maio de 2011

O FUTURO LONGE E PERTO DO LIXO

Existe intensa relação entre a saúde do homem, agentes causadores de doenças e o meio ambiente em que se vive,observando-se a rápida associação que se tem então entre o cuidado ou não com o lixo e o aparecimento de doenças. A partir deste ponto deve existir a preocupação não só por parte da sociedade civil, bem como das autoridades responsáveis pelas políticas públicas de saúde em relação á sequência que deve ter com os materiais descartados no lixo. Este cuidado deve existir, tanto por parte das pessoas, de forma individual como de forma coletiva através da organização de comunidades, em relação ao potencial tóxico dos dejetos que podem contaminar a água, o ar, o solo, os alimentos. A partir da década de 1980 é que se começou a falar de saneamento ambiental englobando água, esgoto, lixo, drenagem, já que havia sido observada estrita ligação entre a mortalidade infantil no país em locais onde havia deficiência no abastecimento de água potável,. Deve existir vigilância constante e rígida em relação aos procedimentos de coleta e destinação dos dejetos, e ainda a cobrança por necessárias e efetivas políticas públicas referentes ao saneamento e também a prática de medidas educativas permanentes que incentivem a coleta seletiva e reciclagem de materiais descartados nos mais diferentes níveis. Antigamente o lixo era composto, principalmente por materiais orgânicos que eram degradados pela natureza. Hoje o lixo do homem moderno é composto por montanhas de embalagens, pets, sacolas plásticas e outros detritos de difícil degradação. Segundo dados recentes do IBGE, a produção de lixo por pessoa no Brasil está entre 0.3 a 1,1 litros/dia gerando cerca de 230 mil toneladas, ou seja, esta quantidade enche um estádio do Maracanã inteiro. Progressivamente então, o destino dado a todo este lixo vem mudando e agora recentemente, foi criada pela Lei nº. 12.305 de 2 de agosto de 2010, e regulamentada em decreto de 23 de dezembro de 2010, do presidente à época Luiz Inácio Lula da Silva, a recente Política Nacional De Resíduos Sólidos. O texto da lei tramitou vinte anos pelo Congresso, e é considerado um marco reverencial para melhora da gestão do lixo, partindo da divisão de responsabilidades entre os geradores de resíduos divididos entre a sociedade, o poder público e a iniciativa privada. Nesta divisão cabe à sociedade participar dos programas de coleta seletiva e diminuir o consumo; ao poder público compete apresentar planos de gerenciamento para o manejo dos materiais gerados e coletados pela sociedade e as empresas privadas o recolhimento dos produtos produzidos por essas empresas, após o uso os mesmos. Entre outras determinações a Lei 12.305 obriga substituição dos chamados “lixões” por aterros ou ainda outras formas de destinação de resíduos, que deverão ser definidas até 2015, proibindo ainda a importação de quaisquer tipos de resíduos descartados como lixo. Em 50,8% dos municípios brasileiros em 2008 (fonte: Revista Radis - ENSP nº. 102) os lixões representam a destinação final dada aos resíduos sólidos classificados como lixo. Geralmente quando se toma o caminho em que o assunto é lixo o pensamento se direciona para a proteção da comunidade referente aos riscos de contrair doenças, ao visual inoportuno e mal cheiroso, que é fonte de poluição visual e a tendência de conservação deste planeta pensando nas futuras gerações. Quando estas considerações entram na análise e na discussão do problema lixo X saúde fica esquecida a outra face da moeda, geralmente não citada que diz respeito às pessoas que vivem destes lixões, excluídos socialmente, que produz um produto diferente que é o lixo humano. Esta situação também faz parte da saúde coletiva. Hoje, definitivamente, o lixo não se constitui somente em veículo causador de doenças,mas em gerador potencial de agregação de pessoas não incluídas em nossa sociedade. Saúde na conceituação atual deve ser definida como - um bem estar físico mental, social onde haja uma interrelação dinâmica entre o homem e o meio ambiente interferindo positivamente na sua produtividade. Deixar como herança pessoas e um planeta saudável requerem mudanças de conceitos e atitudes. Não adianta a luta incansável contra doenças como DENGUE, sem mudanças de atitudes em relação à abolir definitivamente os possíveis criadouros do mosquito, próximo à casa onde se vive. Não adiantam avanços tecnológicos da modernidade se ainda continuarem a nascer indivíduos, já condenados á sobreviver, de maneira desumana dos lixões nas cidades.

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